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Um Lar Para Amar -  Barbara McMahon



PRÓLOGO


Novembro
— Eu tenho um filho! — falou Zack em voz alta. A ver­dade não parecia real, mas a surpresa, sim. Ele tentou se concentrar na revelação contida na carta e ignorar os me­ses de sofrimento passados no hospital para se curar dos ferimentos e a fisioterapia que teria pela frente, antes de se sentir "inteiro" novamente. Lentamente ele mudou a postura do corpo e releu a carta que estava com a data de três meses atrás. Mas o que isso importava? Ainda que a carta tivesse sido entregue antes, o choque não seria me­nos intenso. Ou seria possível que ele tivesse se empenha­do nas pesquisas sobre onde seu filho estivesse, e, com isso, evitado estar na hora e momento errados quando a mina explodiu?
— Eu tenho um filho e o nome dele é Daniel — prosse­guiu em tom sonoro.
— Você disse alguma coisa? — quis saber a enfermeira, que entrava no quarto naquele instante. — Está tudo bem? Precisa de mais um analgésico?
— Não, obrigado — respondeu Zack, impaciente. Tudo o que ele queria naquele momento seria ficar a sós para reler a carta outra vez e tentar entender a razão de Alesia, a garota com quem havia tido um caso na última vez em que estivera de férias nos Estados Unidos, nunca ter lhe contado a respeito da gravidez.
Zack e Alesia Blair desfrutaram alguns meses juntos enquanto ele aguardava por uma nova designação da em­presa de construção e tivesse de partir para mais um pro­jeto em algum lugar distante do planeta.
Embora Zack não a amasse, ele adorara sua compa­nhia. Alesia era uma moça bonita, alegre e disposta. Além disso, ela estava ciente de que Zack não pensava em ne­nhum tipo de compromisso e aceitara as condições sem nenhum problema.
Só de imaginar que uma jovem tão cheia de vida ago­ra estivesse morta provocou-lhe um suspiro de indigna­ção. Apesar de Alesia nunca tê-lo procurado antes, Zack jamais imaginava que a tivesse deixado grávida quando partira para a Arábia há cinco anos. Afinal, um homem tem o direito de saber que é pai!
Agora, graças a Brittany, irmã de Alesia, ele ficara ciente de que tinha um filho.
Na carta, Brittany explicava que não lhe escrevera an­tes por causa do pedido que a irmã lhe fizera para que Zack nunca soubesse do filho que ela tivera e decidira entregar para a adoção. Porém, agora que Alesia estava morta, Brittany decidira revelar a verdade para Zack.
Ele deu um gemido angustiado e afastou a carta para um lado.
Agora que Zack sabia que tinha um filho, ele precisava encontrar uma maneira de localizar o garoto que repre­sentava o seu único parente de sangue que estivesse vivo.
Sem que ele percebesse, um sorriso de satisfação lhe curvou os lábios.

Zack já havia se conformado com a idéia de que prova­velmente passaria o resto de sua vida sozinho. Ele jamais tivera um amigo de verdade e crescera em lares adotivos, passando de uma família para outra, até que alcançasse a maioridade e pudesse tomar conta de si mesmo.

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